
Assisti Gran Torino ontem. Bom filme, mas como curto a testosterona presente nos filmes de Clint Easwood, sou suspeito para criticá-lo (produção e direção dele, além da atuação).
O novo filme do "Dirty Harry" conta a história de um veterano de guerra ranzinza e preconceituoso que perde sua esposa de anos, não tem proximidade com seus dois filhos crescidos e mora sozinho em uma vizinhança de origem estrangeira (no caso, orientais), passando seus dias entre goles de cerveja e bricolagem.
O que me chamou a atenção foi a percepção da mudança dos tempos ao redor do Sr. Walt (personagem de Clint): aos poucos o bairro "americano" foi tomado pelas minorias étnicas e o senhor de 78 anos não percebeu.
Engraçado não percebemos as mudanças e como são difíceis de acompanhá-las: meu pai, aposentado de 59 anos, cantarolando Fresno; duas crianças no condomínio onde moro são casados, com um filho e são colegas de sala (devem ser do 2º grau, se não me engano). Esses são alguns dos exemplos diários. É difícil aceitar valores nos quais você fora doutrinado por anos serem desmanchados; você começa a ser menos liberal porque cada vez mais você tem mais a perder, o que lhe força a uma comodidade injusta e fria.
Você começa a ficar medroso. E fecha-se em um mundo de conceitos só seu.
Por isso que na propaganda muitos clientes têm medo de mudar, porque isso implica em sair da zona de conforto, até a virada da maré e rolar mais "uma crise" para apoiar os que mudam.
No filme, o Sr. Walt até que muda, mas o importante é: vá andando antes que o mundo lhe atropele.
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